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por Otília Martel, em 20.06.19

Reminiscências...

Um pouco de loucura nunca fez mal a ninguém, dizia o meu avô.

Recordo bem, apesar de ser bastante pequena (também não cresci muito mais, ok, concordo, eheh), das palavras dele quando o meu pai o censurava pelas suas saudáveis loucuras.
Ele era uma pessoa extremamente positiva e alegre. Só via o lado bom dos outros e alinhava nas minhas brincadeiras, escondendo, algumas vezes, as traquinices que eu ia fazendo.
A sua imagem está viva em mim. Cada vez mais.

Não será alheio o facto de eu também já ser avó.

A desejar que o tempo passe depressa para viver o meu neto em pleno e a fechar os olhos, como o meu avô fazia, a algumas traquinices próprias da idade. Recordo a sua voz forte mas que se tornava meiga quando falava comigo. Recordo os passeios por Sintra e, acima de tudo, recordo férias passadas na aldeia que me trouxeram o amor pelos animais, pela liberdade da natureza, pelos banhos no rio, pelas tardes calmas quando lia em voz alta ou contava as suas fantásticas histórias de juventude e o seu amor pelos cavalos.
Ou quando lançávamos papagaios de papel na Praia das Maçãs…

Jimmy Lawlor

Vieram-me à memória todos estes pensamentos enquanto olhava, pela janela, o mar no horizonte.
Tempos felizes que recordo com um carinho absoluto. Reminiscências de uma época que me parece tão próxima como se o tempo tivesse parado.

 
As palavras são 
como gotas de água.
Lentamente,
vão criando
um calmo lago
de recordações
dentro de nós,
transformando-o,
velozmente,
num mar de emoções. 

 

Texto originalmente escrito no no meu outro blogue em Outubro de 2013  e que me trouxe à lembrança memórias vivas de uma realidade feliz e daqueles que amo.

Recordar o meu estado de Avó é um único pensamento: o meu neto Luca.

Cresceu. Cresceu.

Mas continua a ser o menino que embalo nos meus braços

Luca e Vovó - Porto

Luca em férias

Luca_férias

Luca e o Pateta

Luca e o Rato Mickey

Luca e o Rato Mickey

Luca

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por Otília Martel, em 15.05.18

Do Poema

alegria da filhota

 

O problema não é
meter o mundo no poema; alimentá-lo
de luz, planetas, vegetação. Nem
tão-pouco
enriquecê-lo, ornamentá-lo
com palavras delicadas, abertas
ao amor e à morte, ao sol, ao vício,
aos corpos nus dos amantes —
.
o problema é torná-lo habitável, indispensável
a quem seja mais pobre, a quem esteja
mais só
do que as palavras
acompanhadas
no poema.
.
"Do Poema", de Casimiro de Brito,

in "Canto Adolescente"

🌻
.

Imagem: Composição de plantas, oferta da minha filhota.

 

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por Otília Martel, em 26.04.18

Amar...

Portugal é um País de Poetas: muitos, dizem.
As prateleiras das estantes estão cheias de livros.
Uns que, obrigatoriamente, se estudou. Outros que se tornaram públicos. Muitos anónimos. Que nunca chegaram às prateleiras. De quem nunca se ouviu falar.
Dos publicamente conhecidos, gosto de alguns. De outros nem por isso.
Talvez tenha a ver com a minha forma de ser ou pensar.
Talvez tenha a ver com sensibilidade.
Talvez tenha a ver com as minhas fantasias e humores.
Mas sim. Gosto de poesia. Nem toda.
A que me toca a alma. A que me faz sorrir.
A que me faz pensar. A que dá esperança e faz sonhar.
A que desafia o mundo. A que diz verdades, também.
Gosto de poesia como gosto de música.
A que me arranca lágrimas e sorrisos.
A que me abraça interiormente. A que fala de saudade.
De paixão. Amor. Flores. Pássaros.
A que fala do encontro do sol e da lua. E da paz.
E dos homens e mulheres que perderam a esperança e por ela lutaram de novo.
A que fala das crianças. Do seu direito a serem felizes.
Das avós e das mães. Mas dos pais, também.

Luca bebé e Vovó Tiló                                                 

E como nos diz Walt Whitman:

“Sou o poeta do Corpo e sou o poeta da Alma,
As aventuras do Céu estão em mim e as penas do inferno estão em mim,
As primeiras enxerto e reforço em mim mesmo, as últimas traduzo para uma uma nova língua.
Sou o poeta da mulher e do homem,
E digo que é tão grande ser mulher como ser homem,

E digo que não há nada maior do que a mãe dos homens.
…”

(excerto)

in, “Canto de Mim Mesmo”, a págs.54/55

 

Sim. Gosto de Poesia.

Dá-me a satisfação de ser. De amar.

 

Fotografia: O Luca bebé ao colo da Vovó Tiló   

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por Otília Martel, em 05.04.18

Saudades...

As férias da Páscoa terminaram e o meu Luca chegou a casa radiante do passeio que deu com os pais.
A gata Yuki que eu cuidei durante este tempo demonstrou, ruidosamente, a falta que o seu menino e os donos lhe fizeram.

Yuki

Embora, diariamente, brincasse e passasse um bom tempo (esqueci-me de a escovar!) com ela, a saudade dos donos foi visível.

Claro que o dono foi logo, de escova em punho, esfregar-lhe cuidadosamente a barriga e escová-la. Coisa que ela delira!
O meu Luca que no decorrer da viagem me telefonava e dizia na sua vozinha doce que tinha muitas saudades minhas, abraçou-me efusivamente.
Dias antes tinha obrigado a mãe a ligar-me de novo porque não tinha falado comigo e estava cheio de saudades.
O meu coração pula de alegria nestes momentos.
Sei que o crescimento dele acontece também com ausências de férias; tempo tão necessário para passar com os pais que lidam com ele de uma maneira inteligente e comunicativa.

Luca

Mas as saudades são tantas, tantas, que, por vezes, parece que o meu coração vai explodir.
Sentir a ausência dele, fora de casa, por outros caminhos, neste mundo tão acidentado, traz-me uma angustia terrível mas que nunca a confesso.
O prazer de revê-lo, a alegria dos seus olhos, o seu abraço carinhoso, é o bastante para me sossegar.

Luca e os carrosOutras férias virão. É bom para o seu crescimento.

 

 Fotografias:

A gata Yuki

O Luca em férias de outro ano. 

O Luca e a mania dos carros antigos

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por Otília Martel, em 24.03.18

Girl and Koi Fish

Em tempo de Primavera e no final deste dia chuvoso trago-vos um pequenino poema que dedico a uma pessoa muito especial na minha vida.
Apesar de estar de costas, na foto, é uma Menina (mas já mãe do meu Luca) doce e educada. 😘
Boa tarde ❤️

Girl and Koi Fish - Sandra V

Dia após dia
serenamente
embalo-me
nas águas calmas
da minha alma.

Mergulho
no espírito da maré.

Renasço
na ondulação do vento.

 

Imagem: Girl and Koi Fish - Sandra V.
(ou seja, a minha filhota na contemplação de uma carpa, em tempo de férias)

 

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por Otília Martel, em 16.03.18

Viagem

Começo aqui,

no local onde me abrigo,

um olhar aberto de mim para comigo.

Começo aqui

um voar acautelado

por entre as nuvens do horizonte.

Começo aqui

a melodia que, em alegria,

toca meu coração.

Começo aqui

o dia dos meus dias,

por entre mágoas e perdão,

crendo no valor da música sentida,

cultivada entre a razão e a ilusão.

Começo aqui

o dedilhar de palavras,

por entre as

vogais e consoantes,

que formam proposições do meu sentir

numa panóplia de emoções.

Começo a viagem

ao sentimento de todas as sensações

Regresso a mim

 

 Os meus amores

(Clicar para abrir o vídeo)

 

(25.Set.2010)

 

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por Otília Martel, em 27.02.18

Meus afectos

Este é o meu rapaz. Ainda menino.
Já é adulto mas continua a ser o meu menino. No passado dia 7 foi o seu aniversário.

Jorge Martel

 

És
jovem tímido
de olhar brilhante.
Nasceste
amor versus paixão.
infante, loiro e lindo
alegria do meu coração.
És
a força que me levanta
todas as manhãs
sol raiando
mesmo em dias de nevoeiro.
No silencio
das palavras que não pronuncias
há o imenso amor que sinto
no teu olhar e abraço.
És
a espera da viagem
a alegria da chegada
o beijo de boa noite
todos os dias.

És meu filho
meu encanto e ternura.
Adoro-te.

Ao meu filho Jorge pelo seu aniversário.

Meus filhos

Os meus filhos: a mãe e o titio do Luca.

 

 

 

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por Otília Martel, em 22.02.18

Cinco Anos

Faz hoje, por está hora, cinco anos que tive nos braços, pela primeira vez, o meu neto Luca.
Momento de sentimentos controversos: ternura, comoção, alegria, orgulho e tudo aquilo de inimaginável que o coração pode sentir.
Quando a minha filha nasceu e passando a dor do parto a alegria de a ter nos braços foi indescritível.
Mas, ao ter nos braços o Luca, foi renascer para a vida; foi esquecer todos os momentos maus e sentir reviver, em força, o amor.
Ele é o futuro que ainda quero conquistar.

Parabéns, meu amor

Luca noa Foz do PortoFotografia tirada o Verão passado, num dia em cheio passado com a Vovó

Na memória
dos dias,
sou matéria e emoção.

No olhar,
vislumbre da natureza,
percorrem sentimentos
na penumbra
da linha que separa
céu e mar.

Ar liquefeito
de perfume,
na alegria do teu sorriso,
do amor que me inunda
ao som da tua voz.

Somos
carne sangue
amor ternura
passado e presente.

És
Meu futuro
razão e viver.

Ao Luca, meu neto, pelo seu quinto aniversário,
da Vovó Tiló

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por Otília Martel, em 12.10.17

Momentos...

Como sabe bem nestes dias calmos de Outono ainda com rasgos de Verão o sol incidir no corpo.

A brisa leve revolta os cabelos e o cheiro a algas e sal envolve.

Momentos de serenidade...

Praia Miramar

 

Solidão

 

Estás todo em ti, mar, e, todavia,
como sem ti estás, que solitário,
que distante, sempre, de ti mesmo!

 

Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas, como os meus pensamentos,
vão e vêm, vão e vêm,
beijando-se, afastando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se.

 

És tu e não o sabes,
pulsa-te o coração e não o sente...
Que plenitude de solidão, mar solitário!

 

Juan Ramón Jiménez,

in "Diario de Un Poeta Reciencasado"
Tradução de José Bento

 

Foto: O mar da minha praia favorita.

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por Otília Martel, em 18.06.16

TSUNAMI DE ALMA

Thors Well, Oregon

 

A minha vida é um tsunami. Não. Não é a minha vida. É a minha alma. O meu pensamento.
Tantas marés aguentei que acho não sobreviver a esta. As ondas formam-se altas, cada vez mais altas.
Quase me atingem mas, de repente, pairam. Ficam ali a pairar. E eu impávida, sem acção, não consigo reagir.
Fui educada para ser forte. Para não dar a conhecer os meus sentimentos. Para permanecer serena e intrépida em qualquer circunstância.
Mas até que ponto o ser humano aguenta tanto?
Até quando qualquer ser humano não se deixa cair e quebra a sua fortaleza?
O meu forte que quereria impenetrável, começa a ceder.
Há fendas por todo o lado. E sinto o mar abalroar-me, como se eu fosse um pequeno barco que submerge às vagas imensas que já não consegue mais suportar.
Poderão dizer-me: “...mas o que te falta para ser feliz?” Sorrio.
Quem conhece o mar, é capaz de reconhecer as ondas bravias.
Sempre fui rebelde, reconheço. Poucas, tão poucas pessoas reconhecem um sobrevivente, um náufrago. E poucas navegaram nos seus mares.
Reconheço que sou injusta. Para os que sofrem na pele tanto infortúnio. Reconheço que sou injusta para os que perderem tudo e não se ergueram; que sou injusta para aqueles que nada conseguem.
Mas cada um sabe de si, diz o povo. E eu sei de mim, direi.
Como uma fortaleza impenetrável ninguém alcança o meu sofrimento mental. Como poderiam? Quem se aperceberia? Ou antes, quem pára na sua vida cómoda e me tenta entender? Quem pergunta? Para que eu possa responder?
Dizem que a idade traz sabedoria. Traz resignação.
Resignação porquê? E para quê?
Porque criei vida? Porque dei e guiei a vida dos meus filhos?
Porque eles crescem e seguem, felizes, o seu destino?
Porque eles sabem que podem sempre contar comigo?
Porque estou sempre disponível com um sorriso?
E eu, sobrevivente da vida, com quem conto?
Com a luta que travo dia a dia? Mesmo que essa luta seja ingrata e inglória?
Sinto-me naufragar na maré dos meus dias.
Mas todos me pedem sorrisos; alegria; disponibilidade.
E eu? E eu?

Imagem: Thors Well, Oregon, de Rick Berk

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