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por Otília Martel, em 05.04.18

Saudades...

As férias da Páscoa terminaram e o meu Luca chegou a casa radiante do passeio que deu com os pais.
A gata Yuki que eu cuidei durante este tempo demonstrou, ruidosamente, a falta que o seu menino e os donos lhe fizeram.

Yuki

 

Embora, diariamente, brincasse e passasse um bom tempo (esqueci-me de a escovar!) com ela, a saudade dos donos foi visível.

Claro que o dono foi logo, de escova em punho, esfregar-lhe cuidadosamente a barriga e escová-la. Coisa que ela delira!
O meu Luca que no decorrer da viagem me telefonava e dizia na sua vozinha doce que tinha muitas saudades minhas, abraçou-me efusivamente.
Dias antes tinha obrigado a mãe a ligar-me de novo porque não tinha falado comigo e estava cheio de saudades.
O meu coração pula de alegria nestes momentos.
Sei que o crescimento dele acontece também com ausências de férias; tempo tão necessário para passar com os pais que lidam com ele de uma maneira inteligente e comunicativa.

Luca

 

Mas as saudades são tantas, tantas, que, por vezes, parece que o meu coração vai explodir.
Sentir a ausência dele, fora de casa, por outros caminhos, neste mundo tão acidentado, traz-me uma angustia terrível mas que nunca a confesso.
O prazer de revê-lo, a alegria dos seus olhos, o seu abraço carinhoso, é o bastante para me sossegar.

Luca e os carros


Outras férias virão. É bom para o seu crescimento.

 

 Fotografias:

A gata Yuki

O Luca em férias de outro ano. 

O Luca e a mania dos carros antigos

 

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por Otília Martel, em 24.03.18

Girl and Koi Fish

Em tempo de Primavera e no final deste dia chuvoso trago-vos um pequenino poema que dedico a uma pessoa muito especial na minha vida.
Apesar de estar de costas, na foto, é uma Menina (mas já mãe do meu Luca) doce e educada. 😘
Boa tarde ❤️

Girl and Koi Fish - Sandra V

 

Dia após dia
serenamente
embalo-me
nas águas calmas
da minha alma.


Mergulho
no espírito da maré.


Renasço
na ondulação do vento.

 

 

 

Imagem: Girl and Koi Fish - Sandra V.
(ou seja, a minha filhota na contemplação de uma carpa, em tempo de férias)

 

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por Otília Martel, em 16.03.18

Viagem

Começo aqui,

no local onde me abrigo,

um olhar aberto de mim para comigo.

Começo aqui

um voar acautelado

por entre as nuvens do horizonte.

Começo aqui

a melodia que, em alegria,

toca meu coração.

Começo aqui

o dia dos meus dias,

por entre mágoas e perdão,

crendo no valor da música sentida,

cultivada entre a razão e a ilusão.

Começo aqui

o dedilhar de palavras,

por entre as

vogais e consoantes,

que formam proposições do meu sentir

numa panóplia de emoções.

Começo a viagem

ao sentimento de todas as sensações

Regresso a mim

 

 Os meus amores

(Clicar para abrir o vídeo)

 

(25.Set.2010)

 

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por Otília Martel, em 27.02.18

Meus afectos

Este é o meu rapaz. Ainda menino.
Já é adulto mas continua a ser o meu menino. No passado dia 7 foi o seu aniversário.

Jorge Martel

 

És
jovem tímido
de olhar brilhante.
Nasceste
amor versus paixão.
infante, loiro e lindo
alegria do meu coração.
És
a força que me levanta
todas as manhãs
sol raiando
mesmo em dias de nevoeiro.
No silencio
das palavras que não pronuncias
há o imenso amor que sinto
no teu olhar e abraço.
És
a espera da viagem
a alegria da chegada
o beijo de boa noite
todos os dias.

És meu filho
meu encanto e ternura.
Adoro-te.

Ao meu filho Jorge pelo seu aniversário.

Meus filhos

Os meus filhos: a mãe e o titio do Luca.

 

 

 

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por Otília Martel, em 22.02.18

Cinco Anos

Faz hoje, por está hora, cinco anos que tive nos braços, pela primeira vez, o meu neto Luca.
Momento de sentimentos controversos: ternura, comoção, alegria, orgulho e tudo aquilo de inimaginável que o coração pode sentir.
Quando a minha filha nasceu e passando a dor do parto a alegria de a ter nos braços foi indescritível.
Mas, ao ter nos braços o Luca, foi renascer para a vida; foi esquecer todos os momentos maus e sentir reviver, em força, o amor.
Ele é o futuro que ainda quero conquistar.

Parabéns, meu amor

Luca noa Foz do PortoFotografia tirada o Verão passado, num dia em cheio passado com a Vovó

 

 

 

Na memória
dos dias,
sou matéria e emoção.

 

No olhar,
vislumbre da natureza,
percorrem sentimentos
na penumbra
da linha que separa
céu e mar.

 

Ar liquefeito
de perfume,
na alegria do teu sorriso,
do amor que me inunda
ao som da tua voz.

 

Somos
carne sangue
amor ternura
passado e presente.

 

És
Meu futuro
razão e viver.

 

 

Ao Luca, meu neto, pelo seu quinto aniversário,
da Vovó Tiló

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por Otília Martel, em 12.10.17

Momentos...

Como sabe bem nestes dias calmos de Outono ainda com rasgos de Verão o sol incidir no corpo.

A brisa leve revolta os cabelos e o cheiro a algas e sal envolve.

Momentos de serenidade...

Praia Miramar

 

Solidão

 

Estás todo em ti, mar, e, todavia,
como sem ti estás, que solitário,
que distante, sempre, de ti mesmo!

 

Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas, como os meus pensamentos,
vão e vêm, vão e vêm,
beijando-se, afastando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se.

 

És tu e não o sabes,
pulsa-te o coração e não o sente...
Que plenitude de solidão, mar solitário!

 

Juan Ramón Jiménez,

in "Diario de Un Poeta Reciencasado"
Tradução de José Bento

 

Foto: O mar da minha praia favorita.

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por Otília Martel, em 18.06.16

TSUNAMI DE ALMA

Thors Well, Oregon Thors Well, Oregon

 

A minha vida é um tsunami. Não. Não é a minha vida. É a minha alma. O meu pensamento.
Tantas marés aguentei que acho não sobreviver a esta. As ondas formam-se altas, cada vez mais altas.
Quase me atingem mas, de repente, pairam. Ficam ali a pairar. E eu impávida, sem acção, não consigo reagir.
Fui educada para ser forte. Para não dar a conhecer os meus sentimentos. Para permanecer serena e intrépida em qualquer circunstância.
Mas até que ponto o ser humano aguenta tanto?
Até quando qualquer ser humano não se deixa cair e quebra a sua fortaleza?
O meu forte que quereria impenetrável, começa a ceder.
Há fendas por todo o lado. E sinto o mar abalroar-me, como se eu fosse um pequeno barco que submerge às vagas imensas que já não consegue mais suportar.
Poderão dizer-me: “...mas o que te falta para ser feliz?” Sorrio.
Quem conhece o mar, é capaz de reconhecer as ondas bravias.
Sempre fui rebelde, reconheço. Poucas, tão poucas pessoas reconhecem um sobrevivente, um náufrago. E poucas navegaram nos seus mares.
Reconheço que sou injusta. Para os que sofrem na pele tanto infortúnio. Reconheço que sou injusta para os que perderem tudo e não se ergueram; que sou injusta para aqueles que nada conseguem.
Mas cada um sabe de si, diz o povo. E eu sei de mim, direi.
Como uma fortaleza impenetrável ninguém alcança o meu sofrimento mental. Como poderiam? Quem se aperceberia? Ou antes, quem pára na sua vida cómoda e me tenta entender? Quem pergunta? Para que eu possa responder?
Dizem que a idade traz sabedoria. Traz resignação.
Resignação porquê? E para quê?
Porque criei vida? Porque dei e guiei a vida dos meus filhos?
Porque eles crescem e seguem, felizes, o seu destino?
Porque eles sabem que podem sempre contar comigo?
Porque estou sempre disponível com um sorriso?
E eu, sobrevivente da vida, com quem conto?
Com a luta que travo dia a dia? Mesmo que essa luta seja ingrata e inglória?
Sinto-me naufragar na maré dos meus dias.
Mas todos me pedem sorrisos; alegria; disponibilidade.
E eu? E eu?

 

 

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por Otília Martel, em 31.03.16

Primavera

A passos largos da Primavera e apesar do tempo fosco que se faz sentir esta manhã, a vida continua.
As recordações e memórias, constantes, são como os primeiros livros de que mais gostámos...nunca se esquecem.

Pressão

 

O nascimento dos meus filhos foi o sentimento mais incrível e controverso que senti em toda a minha vida.

Não consigo explicar as emoções sentidas desde o momento que os meus olhos pousaram neles e os apertei nos meus braços a primeira vez. Não há palavras para descrever tal emoção, só excedida, na actualidade, pela ventura e orgulho de ter nos meus braços o meu neto Luca.

Há muito quem proteste sobre a falta de nascimento de crianças neste País e as estatísticas provam que a taxa bruta de natalidade foi decrescendo, drasticamente:
1960 (24,1), 2011 (9,2).

Haverão muitos factores decorrentes destes números: uma melhor informação aos jovens, o acesso mais livre a contraceptivos, uma maior responsabilidade sobre a natalidade, mas também a incerteza do futuro de um país endividado e as dificuldades financeiras que cada vez são maiores aliada à brutal taxa de desemprego que condiciona projectos de Vida.

A responsabilidade de ter filhos não é uma questão de estatística e, muito menos, um objectivo de adensar o mapa populacional de um País, na minha opinião. É sim, um projecto de Vida: da nossa e da deles. E coragem.

No momento de tanta incerteza futura, a natalidade é um acto de coragem e de luta permanente.

A todas as Mães e Pais de coragem que nestes tempos de grande pressão económica assumem o seu papel mais importante, desejo as maiores felicidades e que o futuro vos seja risonho.

A luta por um futuro melhor é de TODOS nós.

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por Otília Martel, em 01.02.16

SEGUNDA-FEIRA

Segunda-Feira.
A casa esvazia.
Terminadas as rotinas diárias, entre os agapornes, os vasos, os peixes, tira ali, limpa acolá.
Uma ida ao pc.
Voltar à cozinha, subir e descer escadas que faz muito bem. Admirar o mar ainda coberto de nevoeiro.
Trocar o canal 273 da NOS por um cd da Maria Bethânia.
Sigo cantarolando, enquanto o meu canito Sting colado às minhas pernas desliza nuns passos que querem-se de dança.


Segunda-Feira.
Nada de política. Nada de noticiários. Nada de desgraças. Nada de tristezas.
O carteiro tocou não duas mas uma vez.
Bethânia continua a cantar. Mastigo ao som dela.
Os agapornes na gaiola, cantam alegres. Gostam da música.


Segunda-Feira.
Dia tranquilo. Doce.
Tal como o bolo de chocolate que faz companhia ao café.
Trazido pela filha que anda entusiasmada com a maquineta nova.
Já fez pão não sei de quantas farinhas.
O pão de chouriço estava óptimo. Venha mais.


Segunda-Feira.
O ar está ameno. Respira-se maresia. E o verde do arvoredo escorrega no olhar.
Continua a música. Amores. Desamores. Saudade. Amor.
Lembranças. E mais saudade.


Segunda-Feira.
A meio caminho de Terça.


E a música continua...

 

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por Otília Martel, em 24.12.15

Primeira Lição de Natal

Pinheiro de natal.jpg

 

 

 Este Natal,

Vou levar o meu neto pela mão

A ver o pinheirinho do quintal,

Nu, sem qualquer decoração.

 

Nem fio de oiro ou prata ou cobre.

Tem a humildade de ter

Nascido pobre,

Como o Menino que vai nascer.

 

E por isso é mais belo e vivo e humano

Do que esse outro que estará na sala,

Morto, porém, soberbamente ufano

Do seu trajo de gala.

 

Este Natal,

Vou levar o meu neto pela mão,

A aprender a moral

Da primeira lição.

 

 

António Manuel Couto Viana

 

Feliz Natal

 

 

 

 

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