Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




por Menina Marota, em 08.02.14

Havia um menino

Gosto quando as palavras dos outros traduzem a alegria o choro e o sorriso da minha alma.

 

Porque mesmo nas palavras dos outros, a memória e a saudade, estão presentes.

 

Momentos únicos que revejo, tantas vezes, intimamente.


Um deles foi o de ter sido mãe e, confesso, que adorei.

 

A gravidez dos meus dois filhos (em situações diferentes) foi tão desejada que recordo somente os bons momentos, o prazer de cada movimento, os pontapés (às vezes a desoras), as mudanças do corpo e, inclusive, os típicos enjoos que não me incomodaram.

 

Houve muitos momentos de grande felicidade na minha vida, que evoco com saudade, mas a gravidez foi um dos maiores e melhores, só superada pela alegria de ter, pela primeira vez, o meu neto Luca nos braços.

 

Quem já é avó deve entender na perfeição esta dualidade de sentimentos; é uma dádiva que ultrapassa todos os sentidos.

 

Se adorei ter filhos, o que sempre foi um objectivo de vida (adorava ter tido mais, mas a vida não o permitiu), ser avó era um sonho que acalentei desde sempre.

 

Não se riam! É verdade.

 

Desde muito nova que o nome Avó me fascinava. E sempre desejei ter o privilégio de ser assim chamada. Concedida esta magnifica graça, o Luca é hoje, confesso, o menino dos meus olhos, do meu coração e, até, do meu sorriso; sempre que nele penso, apetece-me sorrir.

 

Até um poema inserido a páginas 7 do livro "Fernando Pessoa. Comboio, saudades, caracóis", organizado por João Alves das Neves em 1988, traz-me a lembrança do Luca e sorrio, feliz, lembrando os gorros, bonés e chapéus, com que os papás dele o protegem.

 

 

cama do Luca

 

 

Havia um menino


Havia um menino,
que tinha um chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.

Em vez de um gatinho
tinha um caracol.
Tinha o caracol
dentro de um chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.

Por isso ele andava
depressa, depressa
p’ra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.

Mas era, afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo.

 

São nestes pensamentos que vagueio e que dão novo incentivo à minha vida.

 

Entre os afectos de quem amo e o amor das palavras que compõem a poesia da minha alma, é este o meu mundo.


Que partilho com gosto!

 
 
 

Autoria e outros dados (tags, etc)


1 comentário

De Marius Salgado a 09.02.2014 às 13:59

Vou repassar aqui o que escrevi no FB
 


Te parabelizo por conseguires exprimir em palavras todo este sentimento. Não restam dúvidas és uma escritora a sério!! Não precisas de floreados pra te exprimires. 

Amei!! 


Bjokas!!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor